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Domingo é dia de Gre–Nal 382

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Gre-Nal sempre tem boas e más consequências. No clássico 382, domingo, às 16h, no Beira-Rio, não será diferente.

Mesmo que o Inter não deva usar todos titulares, os jogadores prometem manter a invencibilidade com o técnico Celso Roth. Para o Grêmio, a partida tornou-se fundamental à permanência de Silas.
São pesos diferentes para cada um dos clubes. Sem dúvida, a carga maior está no lombo tricolor. Os pedreiros ao lado sabem bem como é trabalhar com fardo nas costas. Com bom humor, deram pausa no serviço para projetar o duelo deste domingo.

Carga está forte para os gremistas

Em razão do momento conturbado que vive o Tricolor – não vence há dois meses no Brasileirão –, os jogadores entrarão carregando um peso grande nas costas. Além da ameaça ao cargo do treinador, o Grêmio precisa da vitória para se livrar da zona do rebaixamento e começar mais confiante a disputa da Sul-Americana, quinta-feira, contra o Goiás, no Serra Dourada.

Fora toda essa responsabilidade, os boleiros sabem o quanto uma freada no bom momento do rival alegraria a torcida gremista.
Para Antônio, não tem moleza

Assim como dentro de campo, no qual todo o peso do confronto está do lado azul, na obra em que trabalham o gremista Antônio Adriano Machado, 28 anos, e o colorado Ênio Valentim da Rosa, 50, quem anda carregando mais sacos de cimento é o torcedor tricolor. Nada a ver, porém, com as preferências clubísticas. Na divisão de tarefas, o franzino Antônio estava encarregado pelo trabalho pesado, assim como estarão os jogadores gremistas.
– Às vezes chego com dores em casa, mas faz parte – admite o jovem pai de família, que mora em Santa Cruz do Sul.

Aproveitando para tirar um sarro do colega, Ênio já tocava flauta antes do jogo, enquanto Antônio passava por dificuldades para carregar um saco de 50kg, quase o mesmo que o seu peso.

– Viu o que dá ser gremista? Já esvazia esse saco e leva para o Beira-Rio para guardar o monte de gols que vocês vão levar – divertiu-se Ênio.

Otimismo em alta com boa fase colorada

A situação do Grêmio está tão preocupante – é o 18º colocado do Campeonato Brasileiro –, que o pedreiro Antônio nem revidou às provocações feitas pelo colorado diante da reportagem do Diário Gaúcho, sexta-feira à tarde, em obra no Bairro Rio Branco, em Porto Alegre.

O único consolo do tricolor é o de que Ênio não estará trabalhando na obra neste domingo – estará curtindo o Gre-Nal em casa, no dia da folga.

– A corneta vai ficar pra segunda-feira. Até se usar reservas nosso time é melhor do que o deles – provocou o colorado.

– O Grêmio está tão ruim... Talvez um empatezinho já esteja bom. Mas tem que acreditar, né?! – revidou Antônio.

A pouca fé no time tem uma explicação: o gremista não gosta do trabalho de Silas e torce pela troca do treinador na esperança de melhorar o desempenho do time, seja no Brasileiro ou na Copa Sul-Americana.

Objetivo é arruinar o rival

De sangue doce, curtindo a invencibilidade de Celso Roth à frente do Colorado e garantido na zona da Libertadores mesmo com derrota para o maior rival, o colorado Ênio estava confiante. Aposta em vitória por 2 a 1 no Gre-Nal para embalar ainda mais a equipe, projetando o jogo contra o São Paulo, quinta-feira, que valerá vaga na final da competição continental.

E, claro, também para afundar de vez o coirmão:

– Só está faltando a pazinha de cal em cima do Silas. Vamos ajudá-lo neste domingo.

Vitória vale...
Para o Grêmio

- Salvar o técnico da degola
- Sair da zona do rebaixamento
- Embalar para o início da Sul-Americana
- Frear o rival

Para o Internacional

- Manter os 100% de Roth
- Pontuar para afastar concorrentes do G4
- Embalar para as semifinais da Libertadores
- Afundar o rival

Obs.: Em caso de derrota, os itens terão o reflexo negativo proporcional.

Domingo de jogão: até estratégias se diferem

Os treinadores são personagens importantes em qualquer Gre-Nal. No de domingo, Silas e Celso Roth vão além. Estão sobre eles as atenções de quase 10 milhões de torcedores só no Estado.

Afinal, o gremista está pressionado por maus resultados. Só a vitória serve. Mesmo assim preferiu escancarar sua escalação. Por outro lado, o colorado vive dias de intensa satisfação por colecionar vitórias. E ainda se deu ao luxo de esconder o time.

Um deles somente terá motivos para sorrir ao final da tarde.

Souza vira opção... na ala

Uma coincidência cerca o retorno de um dos principais atletas do Grêmio: foi num Gre-nal que Souza se lesionou e precisou de cirurgia. Em 31 de janeiro, no primeiro clássico do ano, pelo Gauchão, o meia machucou o joelho esquerdo. Domingo, seis meses depois, ele fica no banco.

– Ele até tem dado carrinho nos treinos. A lesão é coisa do passado – vibrou Silas.

Com a irregularidade de Douglas na armação das jogadas ofensivas, Souza passar a ser a alternativa para organizar a equipe. Silas, porém, não descarta utilizá-lo como ala pela direita, função desempenhada pelo atleta por muito tempo no São Paulo. No Grêmio, chegou a atuar no lado direito em algumas partidas de 2009.

Time foi revelado na entrevista

A tônica da semana no Olímpico foi assim: treino tático ou coletivo, portões fechados. Certeza de mistério na escalação, certo? Errado. Silas confirmou que o sistema e o time serão os mesmos do empate com o Cruzeiro.

Desta forma, a única mudança no 3-5-2 é a presença de Ferdinando no lugar do lesionado Fábio Rochemback. O treinador, porém, tratou de lançar um mistério ao dizer que podem acontecer variações durante os 90 minutos.

Luz alta para o camisa 10

Uma troca provável é a improvisação de Rafael Marques como lateral-esquerdo, passando Hugo para o meio. Certo é que Douglas, único articulador, terá a missão de abastecer o ataque. Desde que...

– Tenho que jogar com a bola no pé. Não posso dar pique até a zaga para buscar a jogada – disse o meia.

Silas tem opinião diferente. Ele entende que Douglas terá de jogar com e sem a bola. E mandou luz alta:

– Se ele não fizer isso, não joga.

Magro com sobrepeso

Durante os 19 anos de carreira como jogador, Silas teve físico invejável. O peso de 71kg não mudou como técnico, afinal, uma das características do seu trabalho é fazer (quase) a mesma preparação dos atletas. Domingo, porém, ele estará uns quilos acima do normal.

Fruto do peso que o Gre-Nal terá na sua permanência no Grêmio. Na zona do rebaixamento do Brasileirão, com cinco jogos sem vitória, Silas deve perder o emprego em caso de nova derrota, embora a direção desconverse sobre o assunto.

Tanto que, na sexta-feira, o treinador admitiu ter dois interesses:

– Vencer e sair da turma de baixo da tabela.

Vitória consolidaria recuperação

Silas negou temer a demissão – nomes de Mário Sério, Dorival Junior, Ney Franco e Renato Portaluppi circulam nos bastidores. Disse que continuará no cargo e até demonstrou irritação ao ser perguntado sobre o suposto desejo do São Paulo em contratá-lo.

– Seria covarde se pensasse nisso. Isso é barulho de fora para dentro. Quero ser vencedor aqui e estou sendo – comparou.

A vitória, aliás, é apontada pelo técnico como a consolidação da recuperação no Nacional e fundamental para estrear bem na Sul-Americana – o Goiás, fora, é o rival na quinta. Não será fácil, porém.

Rival estaria mordido. Será?

Silas vê na escalação do misto colorado uma dificuldade a mais. A explicação: o Inter estaria “mordido”, apesar de ter vencido dois e perdido só um neste ano.

– Ganhamos na casa deles e fomos campeões. Precisa dizer mais? – perguntou Silas, que só tem estes três clássicos no currículo.

Então, para ganhar, ele apostará no 3-5-2. No segundo jogo do esquema, aposta na correção de problemas para não deixar escapar outra vitória. E o cargo.

Sobis está garantido

Apesar de o técnico Celso Roth fazer mistério quanto à escalação, uma das poucas certezas que o treinador deixou escapar é a de que Rafael Sobis estará em campo. Até porque o jogador precisa adquirir ritmo de jogo.

Para o atacante, que fez sua estreia diante do Flamengo, é a oportunidade para provar que já pode ganhar uma vaga no time contra o São Paulo.

– Quem for bem nesse jogo tem todas as chances de jogar na quinta. Fico feliz que os atacantes estão bem, porque isso faz com que eu não queime etapas – observou o avante, reserva de Taison.

"O Inter está sem pressão"

Com vários Gre-Nais no currículo, Sobis está ansioso para marcar o seu primeiro gol. Apesar da instabilidade do rival, descarta vantagem colorada:

– Temos de aproveitar que o Inter está solto, sem tanta pressão.

Jejum de Roth: dez anos

O retrospecto recente em Gre-Nais não é nada favorável, mas Celso Roth não dá a mínima para estatísticas. Quando era técnico do Grêmio, o atual treinador colorado perdeu os três clássicos de 2009. As derrotas, inclusive, lhe custaram o cargo durante a disputa da Libertadores.

– Fui vice-campeão brasileiro com o Grêmio, mas vocês só lembram do Gre-Nal. Não levo em conta a estatística porque são circunstâncias e times diferentes. Trabalhei nos dois lados, com muita honra – ressaltou.

Desempenho é de 42,1%

Em 19 confrontos, tanto como técnico azul ou vermelho, Roth alcançou o desempenho de 42,1% (sete derrotas, seis vitórias e seis empates). Seu último triunfo em clássico foi em 2000, no comando do rival (2 a 1, no Beira-Rio, pelo Brasileirão).

Quem é "da aldeia" sabe

Se pudesse escolher, porém, Roth admite que não gostaria de enfrentar um clássico justamente entre uma decisão de vaga à final da Libertadores. Com cinco vitórias seguidas desde que substitui Jorge Fossati, o treinador não corre nenhum risco.

Mas por ser gaúcho, sabe bem os efeitos que tem um Gre-Nal:

– Nós que somos da aldeia sabemos o que isso representa. Não significa nada time titular, mesclado ou reserva. Gre-Nal é sempre Gre-Nal. É uma coisa muito diferente.

Ele descarta o favoritismo

Apesar do mau momento do adversário, Roth descarta favoritismo e disse acreditar na recuperação gremista:

– O Grêmio sempre teve muita qualidade. Por estar em um momento de desequilíbrio, vai fazer de tudo para ter uma boa partida. Certamente vão voltar a encontrar o equilíbrio, porque tem bons jogadores.

Escalação pode ter surpresas

Jogar o Gre-Nal com o time titular, o mesmo que venceu o São Paulo, na Libertadores, está descartado. O Inter não arriscará perder jogadores para a decisão da vaga à final. Mas a ideia do técnico Celso Roth, de usar um time totalmente reserva, também não vingará.

– Definição só horas antes do jogo, para não se perder a tradição – disse o técnico, que já passou pelos dois clubes e tem 19 clássicos no currículo.
Para não arriscar a invencibilidade

A justificativa é a de que o jogo pela Libertadores será apenas na quinta, o que significa um dia a mais de recuperação. Mesmo assim, Tinga e Taison, que ainda tratam lesão na coxa direita, nem devem concentrar.

Entre os mais cotados para encorpar o time estão Bolívar e Guiñazu. No gol, Renan está confirmado. A decisão de escalar alguns titulares também passa pelo temor de perder a invencibilidade.
– Manter as vitórias é importante – disse Roth.

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