Pelo menos por enquanto, o uso do tabaco tipo Burley nos cigarros está garantido. Encerrada neste sábado em Punta del Este, no Uruguai, a 4ª Conferência das Partes (COP 4) recomendou a proibição do uso dos aromatizantes, mas manteve a possibilidade da adição de açúcar, necessária para a recomposição do Burley. A proibição dos aromatizantes está contida nos artigos 9 e 10 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, cujo teor preocupava as entidades que representam os produtores porque poderia significar o fim da utilização do fumo Burley nos cigarros.
A proposta dos representantes dos produtores havia sido pela postergação da definição referente aos artigos 9 e 10. Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a posição da conferência torna-se um meio-termo, por causa das divergências de interesse do conjunto de países representados. A entidade entende que a possibilidade de manter a recomposição garante a utilização do Burley na fabricação de cigarros, o que ameniza uma das maiores preocupações dos fumicultores. A decisão final da COP 4, de certa forma, também ficou alinhada com a posição do governo brasileiro. O País defendeu a implementação e sugeriu que cada nação definisse por lei nacional, a seu tempo e modo, os aspectos relacionados aos artigos.
Para o vice-presidente da Afubra, Heitor Petry, a mobilização dos representantes dos fumicultores foi fundamental para alertar e sensibilizar as autoridades brasileiras e os delegados da conferência. “Não deixou de ser um processo de pressão, com respeito aos princípios democráticos e autênticos de uma classe trabalhadora.” Petry explica que as entidades ligadas aos produtores de tabaco têm ciência que o combate ao tabagismo é um movimento mundial irreversível. “Acompanhamos a evolução desse processo para podermos preparar os fumicultores, buscando alternativas de complementação para reduzir o grau de dependência econômica que hoje é, em média, de 68% da renda dos fumicultores sul-brasileiros”, ressalta. “As questões relacionadas ao tabaco não devem ser tratadas ou só como saúde ou só como produção, mas sim, na relação produção e saúde.”
DIÁLOGO
Outro ponto destacado pelo vice-presidente da Afubra é a oportunidade de diálogo, em várias ocasiões, dos representantes dos fumicultores com a delegação brasileira. “Esperamos que seja mantida essa elogiável atitude do embaixador do Brasil no Uruguai, José Carlos Souza Gomes, e do diplomata Fernando Figueira de Mello, que tiveram uma percepção da necessidade de estabelecer um espaço de interlocução entre governo e produtores de tabaco”, enfatiza Petry. Ele complementa que as entidades continuarão acompanhando os resultados das definições da COP 4 e se manterão engajadas no trabalho pela diversificação. “A própria conferência, na ausência de culturas alternativas, apontou a necessidade da continuação na busca dessas, o que as entidades já vêm realizando.”
A comitiva de representantes dos fumicultores brasileiros foi integrada pela Afubra, Contag, Fetag-RS, Farsul e Fetaesc, além de deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e sindicalistas.
Entenda
Durante o processo de cura, o Burley sofre perda do seu açúcar natural, sendo necessária a adição no momento da fabricação dos cigarros. Com a proibição do uso de aromatizantes, prevista nos artigos 9 e 10 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, temia-se que a utilização da variedade ficasse inviabilizada, prejudicando 50 mil produtores que se dedicam ao seu cultivo.
Gazeta do Sul
Foto: Ricardo Moura /EMQUESTÃO

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