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Turismo rural traz benefícios para produtores e visitantes da Expoagro Afubra 2011

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Cada vez mais o turismo rural vem constituindo-se em uma atividade complementar à agricultura familiar. As belezas naturais e a simplicidade do meio rural, a hospitalidade, a cultura da imigração europeia, a gastronomia e a produção colonial atraem visitantes e favorecem a manutenção das famílias na colônia, com geração de renda e qualidade de vida.

Algumas experiências em turismo rural desenvolvidas no RS e em SC foram apresentadas, na manhã desta quarta-feira (02), durante o 4º Seminário Regional de Turismo Rural, realizado na 11ª Expoagro Afubra, na localidade de Rincão Del Rey, em Rio Pardo. Promovido pela Emater/RS-Ascar, Afubra e Associação do Turismo da Região do Vale do Rio Pardo, o evento de fomento à atividade turística reuniu representantes de municípios gaúchos, turismólogos, empreendedores e produtores rurais.

Para o diretor administrativo da Emater/RS, Valdir Zonin, o turismo rural é uma alternativa que vem se somar e estimular a geração de outras atividades na propriedade, como a agroindústria, o artesanato e a produção de alimentos, contribuindo para o desenvolvimento dos municípios e das regiões. "O turismo é uma das vocações do Estado e da agricultura familiar", salientou.

Um dos projetos apresentados no Seminário foi o "Acolhida na colônia", que começou a ser desenvolvido em 1996 em cinco municípios da encosta da Serra Geral e Alto Vale do Itajaí, em SC, e hoje já envolve 27 municípios e 180 famílias de agricultores. A coordenadora do projeto, Daiana Bastezini, relatou que apesar do meio rural da região ser visto como atrasado, com problemas de infraestrutura e serviços e na própria agricultura familiar, havia potencial para o turismo.

Com ações de sensibilização, associativismo, capacitação, marketing e investimentos, entre outras, foi possível mudar a realidade. Hoje, o turismo complementa a agricultura e é a principal atividade das propriedades que abriram suas portas, compartilham seu modo de vida e oferecem produtos e serviços, como hospedagem, alimentação e lazer.

"Nosso foco é capacitar os agricultores e possibilitar que, por meio do agroturismo, eles possam manter a família, principalmente os jovens, nas propriedades, com geração de renda e qualidade de vida", destacou Daiana. Ela ressalta, ainda, que a venda de alimentos processados ou in natura é muito importante para os agricultores e uma boa opção para os turistas, que podem conhecer o local, a forma de produção e, ainda, adquirir os produtos diretamente dos agricultores a preços mais acessíveis.

O tema legislação na produção e comercialização de produtos de origem vegetal e animal na agricultura familiar foi abordado pelo agrônomo da Emater/Ascar, Nilo Kern Cortez. Ele mostrou o que é preciso fazer para legalizar as agroindústrias, quais os documentos necessários e como é feita a fiscalização. "O maior problema das agroindústrias familiares é falta de material para industrializar, pois devem ter 80% da matéria-prima principal e não podem comprar, como fazem as indústrias em geral", explicou.

Cortez disse também que os proprietários de agroindústrias podem vender diretamente aos consumidores sem pagar impostos e podem ser empreendedores individuais, o que reduz a carga tributária do negócio. Quanto à legislação, o palestrante explicou que é preciso cumprir as normas administrativas para ser caracterizada como agroindústria, além da adequação sanitária e ambiental. "As burocracias estão menores nesta área para legalizar as agroindústrias", disse.

Ele aconselhou a buscar informações sobre impostos e aspectos legais como talão microprodutor rural, alvará da prefeitura e aposentadoria especial. Os projetos de criação de agroindústrias podem ser feitos com apoio técnico da Emater/RS-Ascar, inclusive para a busca de recursos junto ao Pronaf Agroindústria, às políticas públicas de fomento, aos fundos municipais ou instituições bancárias.

E a palestra "A tradição histórica da autenticidade na agricultura familiar - uma fábrica de boa gente", foi ministrada por Diogo Guerra, escritor de crônicas, representante do Rio Grande do Sul na Academia Brasileira de Extensão Rural e gestor de projetos de política ambiental. Nascido em Garibaldi, na Serra Gaúcha, Guerra cursou veterinária e dedica-se a escrever e palestrar em igrejas e comunidades rurais na busca do resgate da cultura das pessoas do campo.

Ele foi um dos criados dos Caminhos de Pedra, na Serra Gaúcha, e salienta que o resgate da autoestima dos colonos é fundamental para o desenvolvimento rural e a permanência das pessoas no campo. "A urbanização dos anos 1980 levou os produtores a comprarem produtos urbanos, que apareciam na mídia", comenta.

"Os nossos colonos começaram a rebocar as casas porque era feio ter casas de pedras", lembra. "Hoje se recebe turistas da Europa para ver as nossas casas de pedras." O seminário também contou com a divulgação de atrações regionais como a Rota do Chimarrão, de Venâncio Aires, e a 14ª Fejão, realizada em Sobradinho.


Fonte :  Júlio Fiori, Emater/RS-Ascar
Foto: Ricardo Moura
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