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Crise dos hospitais no RS se reflete na falta de atendimento pelo SUS

Hospital
Foto: Ricardo Moura

Instituições filantrópicas reclamam da verba repassada pelo governo.
Segundo Ministério, tabela do SUS passa regularmente por reajustes.

 
A crise financeira dos hospitais filantrópicos do Rio Grande do Sul se reflete na falta de atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). As instituições dizem que a verba repassada pelo governo é menor do que os custos para manter os serviços funcionando. Alguns só conseguiram reverter a situação com a ajuda da comunidade.
Em 2013, os hospitais filantrópicos brasileiros podem encerrar o ano com endividamento de R$ 12 bilhões, uma vez que a remuneração não passa de 65% da despesa.
Desde agosto do ano passado, o pedreiro Edvino Machado ganhou na Justiça o direito de fazer uma cirurgia pelo SUS na Santa Casa de Pelotas para corrigir uma fratura no fêmur. Mas, até agora, o procedimento não foi marcado.
"Cada dia sinto que estou pior. Não me alimento mais direito por causa de tanto remédio e medicação. Estou apavorado", disse Edvino.
O pedreiro faz parte de uma lista de espera de mais de 500 pacientes que aguardam procedimento de traumatologia. O hospital faz 95 cirurgias desse tipo por mês pelo SUS.
Os 14 médicos contratados no fim do ano passado e os 28 leitos em traumatologia são considerados insuficientes. Segundo a direção, faltam recursos para novos investimentos. A verba repassada pelo município não consegue cobrir os gastos do hospital, que em 2012 acumulou prejuízo de R$ 1,3 milhões.
No Hospital de Caridade de Canguçu, onde 90% dos atendimentos são feitos pelo SUS, o déficit chega a R$ 142 mil por mês. O contrato com o estado ainda não foi renovado este ano.
"Só o custo do funcionário já é muito superior aquilo que arrendou pelo SUS", revelou Arndt Neto, presidente interino do Hospital de Canguçu.
Na Santa Casa de Uruguaiana, na Região da Fronteira, o prejuízo dos últimos três anos é de R$ 21 milhões. Segundo a administração, se o estado não repassar R$ 500 mil a mais, o hospital pode sofrer redução de leitos e funcionários.
Já o Hospital Vida e Saúde, em Santa Rosa, se mantém apesar dos recursos escassos. Um grupo de empresários assumiu a administração e renegociou as dívidas. Em seis anos, foram investidos R$ 8 milhões em equipamentos e o número de funcionários dobrou.
"A tabela do SUS está por um longo tempo defasada. É preciso haver de forma equilibrada esta sustentação de serviço", revelou Vanderli de Barro, diretora do hospital.
"A gente é pobre. Se tivesse que pagar particular, não ia ter condições, né? Pelo SUS, estou bem atendido", disse o aposentado Adelino Ernesto Zamo.
De acordo com o Ministério da Saúde, a tabela da SUS passa regularmente por reajustes. No ano passado, diversos procedimentos da rede pública tiveram os valores corrigidos em todo o país.
G1
 
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