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De amarga já basta a vida


Vira e mexe a polêmica dos adoçantes ganha espaço na mídia convencional e também na versão de distribuição exponencial em alta velocidade das redes sociais. Cada um dos tipos de adoçante tem direito a altos e baixos na cotação como produto saudável, conforme a fonte de informação e os resultados de pesquisa divulgados no momento.
O único fato imutável parece ser a dificuldade de substituir o açúcar, sobretudo quando se leva em conta o quesito sabor
O vilão da vez voltou a ser o aspartame, já condenado e reabilitado diversas vezes. E o papel de mocinha atualmente cabe à stévia, com seu apelo de doçura mais natural, em oposição aos edulcorantes sintéticos.

A stévia é produzida a partir das folhas de uma planta chamada Stevia rebaudiana, nativa do Paraguai e dos estados da região sul do Brasil. A espécie já era usada pelos índios guarani com a finalidade de adoçar alimentos e preparados medicinais bem antes do Descobrimento. Eles a chamavam de kaa hê ê ou erva-doce.

Seu poder edulcorante é considerado até 300 vezes maior do que o do açúcar de cana, porém seu sabor residual nos alimentos e bebidas adoçados sempre foi um empecilho na conquista do mercado de adoçantes. É justamente por isso que o grupo de pesquisa de Universidade Estadual de Maringá (UEM) agora investe num tipo de filtragem da stévia capaz de separar as substâncias responsáveis pelo sabor residual, ao mesmo tempo em que seleciona variedades da planta nas quais estas substâncias já são menos concentradas.

O grupo existe há quase 30 anos e é liderado pelo pesquisador Silvio Claudio da Costa. “Já trabalhamos com o intuito de não empregar solventes orgânicos no processo de fabricação do adoçante, algo que hoje já se tornou uma exigência de toda a indústria. Agora estamos estudando processos de separação por membranas e trocas iônicas, uma tecnologia relativamente nova, que usa membranas poliméricas para separar as substâncias de acordo com seu peso molecular”, diz o especialista.
O processo é chamado de filtração tangencial e possui vantagens em relação à filtração convencional, justamente pela possibilidade de separar as substâncias que adoçam daquelas que “pecam” pelo sabor desagradável.

Ao combinar esta filtração com o uso de plantas com teores mais baixos das substâncias indesejadas, a expectativa é de dar à stévia o empurrãozinho que falta para a conquista do consumidor. “Temos uma boa coleção de plantas e estamos selecionando aquelas com baixos teores para fazer a filtração a partir destas plantas, em lugar de deixar para separar tais substâncias no final do processo”, acrescenta Costa. Para ele, a “stévia é a grande aposta diante do receio dos edulcorantes sintéticos aspartame e sucralose”.

O grupo de pesquisa com stévia da UEM conta com 17 pesquisadores e chega a 25 pessoas se incluídos os estudantes de pós-graduação e iniciação científica. Os recursos são do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Araucária.

Agora é torcer – a mulherada principalmente – para os esforços terem bons resultados. Afinal, parodiando aquela famosa frase revolucionária: “hay que emagrecer, pero sin perder la doçura jamás”…

Fotos: Silvio Claudio da Costa/UEM (mudas de stévia)
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